Reflexões


Pensava enquanto corria...

Eu ando por aí fugindo de vocês que são o espelho que eu encontro nas vitrines. Todos a venda, esperando por alguma cor que caia bem no fundo do poço. Converso sobre o quanto me incomodo com a presença da minha sombra e imagino que eu não sou mesmo muito bom nisso de existir e coexistir em um mundo não sabe mais o que é.

 

Não é sobre os outros, é sobre mim, e talvez um dia eu peça por piedade quando for pagar a conta por descontar minhas frustrações nesse texto.

 

Eu leio pra te entender e fundamento as falhas de Marx pra disfarçar a minha vontade de ver sangue saindo dos poros de quem não se sente como eu. E se a pele denuncia todos as suas negligências, vejo na sua cara os danos da exposição aos ares poluídos do cheiro daquilo que está no seu bolso.

 

Não é sobre os outros, é sobre mim, e talvez um dia eu te atire uma pedra revoltado pelo que eu andei dizendo por todos esses anos e você não ouviu. Você ouvia o que estava na sua cabeça. Não havia notado sua surdez, então.

 

Eu procuro na arte o que eu não encontrei fazendo bobagens práticas na vida. O meu problema foi perceber que o que foi escrito não cabe em mim por mais que um efêmero minuto. Minha promiscuidade intelectual tornou o tédio tangível e, de fato, nada me impressiona mais do que a discrepância da minha imagem ao lado da sua.

 

Não é sobre os outros, é sobre mim, que talvez um dia tenha a chance de te enviar flores amarelas murchas pra provar que eu não perdi mais nem menos tempo que você tentando provar que você estava errado, apesar de te admirar exatamente por estar. Exatamente pela diferença que nos separa e que te apaga da minha memória pelo efêmero minuto de encontro que a arte me oferece.



Escrito por Theo às 21h27
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Não ouvirás...

        Quando eu tinha 11 anos a minha casa ficou muda e surda. Nada se cantava, nada se ouvia. Falava-se pouco. A proibição era enfática: ‘três meses sem ligar o som’. Minha bisavó havia falecido aos 99 anos. Não me lembro bem dela, apenas uma imagem. Cabelos brancos, corpo magro e quebradiço e uma pele enrugada bem morena. Falava baixo, com dificuldade, talvez por isso nunca tentei realmente ouvir o que ela dizia. Pra mim, era a mãe da minha avó e sempre foi até o dia em que deixou de ser.

        Misteriosamente chorei como nunca havia chorado. Mais do que quando apanhava do meu irmão ou ficava de castigo por alguma arte. Essa palavra arte nesse sentido merece um livro, uma tese ou no mínimo um post. Outra hora. As minhas lágrimas eram realmente sinceras motivadas pelas lágrimas de tios, primos, mãe, avó. Lágrimas condicionadas. Hoje faz muito sentido, li ontem que o desejo nasce em você porque é desejado por outros. As lágrimas brotaram em mim porque desejava a dor do outro, mais do que isso desejava ser dono do desejo e da dor dos outros. Queria que me vissem chorando. Lembro de um tio que sentou ao meu lado e veio me explicar do que a morte se tratava. Foi racional, pouco enfático, sem apelar para jargões espirituais. Gostei. Mais ainda da atenção dele que consegui conquistar.

        Após o enterro, a decisão da minha mãe foi emudecer um pouco a vida. Abafar sons. Pouco se falou, nada se ouviu. Eu sentia muita falta da música. Contudo, a morte era algo grande demais pra que eu pudesse reclamar ou reivindicar o direito de ouvir música. A morte no meu pensamento era enorme. Um monstro e no mesmo patamar do Deus de mentira que pintaram pra mim um pouco antes daquela época. Só me restava aceitar o silêncio. Eu insistia em uma idéia calada, apenas dentro da minha cabeça. ‘Se teve música na igreja, no velório na hora da benção final, porque eu não posso ter música aqui?’. Tanto já se cantou sobre morte. Existem álbuns líricos dedicados ao luto e igrejas, música e morte são irmãos. Ainda me pergunto porque aquele momento, meu primeiro contato com a morte, não pôde ter trilha sonora. Se música nem sempre ou na maioria das vezes não é sobre alegria e chegada, pra que partir se repertório é o que não falta?

        Anjos tocam arpas, óperas contam histórias, cabarets usam músicas e o luto é música introspectiva. Mas nunca silêncio, pois silêncio não é morte. Morte é vida, não cala, provoca. Três meses sem música... loucura calada!



Escrito por Theo às 11h27
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Sobre ser livre pra não vencer...

       O tema central deste blog não sou eu, são minhas imperfeições. Sigo falando delas, ora na tentativa de me cobrar, ora simplesmente tentando me vangloriar por ter a capacidade de constatá-las. Nunca seguem linha, nunca sabem onde terminam e suas vidas são incertas como uma mente que desistiu da coerência na esperança de que do caos surgisse o pânico que resultaria na fuga e no prazer de não saber mais onde piso.

        Enquanto o tempo passa, um hedonismo toma conta de mim e faz com que eu não queira passar pelas coisas chatas para atingir meu deleite. Por viver de extremos, encontro-me então doente. Na mais pura das enfermidades diagnosticada pelo meu espelho e nomeada de intolerância.

        Eu tentei mudar quem eu sou uma série de vezes. Tentei me entregar menos às coisas, ser menos exigente comigo mesmo. Errei uma, duas, três, quatro, cem vezes. Continuo errando, pois ainda há o que se pesquisar nesses erros. Ainda não fui ao fundo do problema pós-moderno chamado stress. Ainda na esperança de obter certa compreensão do mundo, me esforcei e me esforço. Maltrato-me, de cicatrizes meu corpo está cheio. Resta escondê-las com tatuagens que também vão tentar ser mensagens. Frustração. Longe está o tempo em que eu me sentia certo ou confiante com tal postura massacrante.

        Ao pensar que estava dando meus primeiros passos para a felicidade, me vi novamente em profunda desorganização, inaptidão. Por melhor que eu fosse, por melhor que eu conseguisse faltava eu gostar desse meu lado. Porque durante todo o tempo em que trabalhei nele, nunca parei pra admiração, contemplação ou pra apenas gostar dele.

        Talvez por isso o melhor mesmo tenha sido desistir. Um, dois, três, dez anos podem no final não dizer nada. Sabido é e eu concordo que a tristeza em mim já é um estado intrínseco de espírito. Então qual o problema em desistir? Talvez este seja o ato mais competente que eu executei em anos.  Pra não dizer heróico. Não mais me cobro, pois o prazer está no processo. Não penso lá longe, pois meus olhos não vislumbram tanto. Hedonista, daqui pra frente...



Escrito por Theo às 01h29
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Epifania...

            Enquanto fingia ler o jornal de domingo, pensava nas experiências que havia vivido. Um jovem, como um dia ele foi, perguntou qual o motivo daquela expressão melancólica. Com seus olhos cansados, olhou para o menino e disse: quer mesmo saber? Após um gesto afirmativo, começou a falar.

       

        - Quando menino encantava-me por televisão e devorava os livros que minha mãe trazia da escola. Em minha casa era o único leitor. Por me perder nos livros e usar frases dele percebi que lá dentro não era entendido. Cresci assim em meu mundo particular. Pensando em como sair dali, creio que criei tantos amigos imaginários que devo ter brigado com a maioria, mas eles eram a melhor companhia que eu podia ter. Na minha cabeça, eles me entendiam.

- Na adolescência, comecei a pensar em meninos e meninas. Ouvi rock e usei drogas só pra mostrar pro mundo que eu podia. Entendi o que era bonito ao mesmo tempo em que me achava feio. Calado, enfrentando os dramas que só a mim apeteciam, aprendi a brigar. E creio não ter parado. Briguei com pai, mãe e arranjei briga na rua. Voltei com a boca sangrando e aproveitei para fazer com que o som das palavras fosse mais doloroso. Como doeu, desde então!

- Ao perceber que estava adulto, neguei! Decidi não trabalhar pra me manter sempre inspirado. O mundo a parte havia se tornado maior, mas nunca coube mais ninguém. Quando adulto, briguei mais do que pensava. Percebi que tinha muito a amadurecer e percebi que tinha me recusado a tanto. Percebi que isso de relação com as pessoas nunca me apeteceu. Briguei por tudo aquilo que acreditava e fiquei puto quando não acreditavam em mim. Continuei a transar com meninos e meninas e creio ter alternado personalidades femininas e masculinas ao longo da vida. Mudei tanto de idéia que perdi o fio da meada e esqueci o significado de coerência. Vez ou outra, pensei em me matar. Às vezes me pegava assaltado pela expressão melancólica que despertou-lhe a curiosidade e só pensava no meu fim. Mas entre idas e vindas, aqui estou, demorei uma vida inteira pra chegar a uma conclusão que agora me assaltou e levou consigo o resto da minha sanidade.

 

- Que conclusão é essa? Perguntou o jovem enquanto analisava confuso o idoso transtornado.

- Percebi que o meu maior erro e também meu maior acerto foi nunca me negar nada e pensar que eu tinha direito a tudo.

Escrito por Theo às 00h15
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Respeito bom pelo que eu gosto...

        Vamos falar sério. Aqui! Agora! Pois não é possível que apenas eu percebi o que fizemos conosco.

 

        “No meu trabalho todos me respeitam. Até porque sou competente, nunca tiveram problemas com o meu trabalho”.

 

        E se não fosse competente, justificava algum desrespeito?

 

        “Hoje em dia tá fora de moda. É feio ter preconceito”.

 

        Claro, pois aprenderam a dançar conforme a música que tocava. Pra que então ter preconceito se eles conseguiram dominar, domar, adestrar. Se acharam uma função pra que nós possamos aquecer a economia. Souberam usar nossa auto-cobrança, aqui sinônimo de vulnerabilidade. Montaram, tripudiaram, riram e brindaram às custas do que rendemos a eles. Ás custas da ilusão que estamos por cima das carnes, apesar de sermos minoria.

 

        “Não importa o que a pessoa pensa e sim o que ela fala. E falar, hoje em dia, é feio”.

 

        As coisas não ditas devem ser as mais poderosas. Nenhuma conspiração é aberta pra quem não lê nas entrelinhas. Apesar de que não há uma salinha planejando todas as estratégias do sistema. Ele só se apodera do espaço que o indivíduo dá.

        Recordo-me de quando comecei a contar para as pessoas que sou gay. O apoio vinha seguido de: “sabe o que você faz? Trabalha bastante, ganha dinheiro, seja independente e vai viver sua vida. A única forma de vencer preconceito é se você for bem sucedido?” Pra mim, isso é apenas uma forma de se adequar a ele e, por mais que dinheiro e sucesso sejam desejos naturais nos produtos do meio, formou-se uma auto-cobrança que consome o indivíduo e favorece a maioria.

 

        Acorda, gente! O primeiro deslize, mesmo que seja por questões das mais humanas, vai culminar no uso da sua sexualidade pra justificá-los. Errou porque é gay, adoeceu porque é viado, sacanearam com ele por causa do estilo de vida.

 

        Então escrevo hoje pra defender o meu direito de ser pobre, minha liberdade de ser incompetente, de ser feio e não querer nada muito sério da vida. Escrevo pra assumir que não quero muito dinheiro, muito menos ser bem-sucedido (o que acarreta muitos contras antes dos prós). Escrevo porque mesmo sendo o retrato de toda essa repugnância capitalista, mesmo não querendo fazer dinheiro ou ter sucesso na vida, eu exijo o direito básico de ser respeitado.



Escrito por Theo às 11h39
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        Queria morar em um país mais melancólico. Queria sim! Menos sorrisos, mais consciência. Queria menos sexo, menos calor, menos agitação. Queria vivenciar uma cultura onde falar fosse desnecessário, pra não dizer desagradável. Queria que as pessoas vivenciassem mais o silêncio. Opinassem menos. Sobretudo, gostaria de opinar menos.

        Ser mais respeitado no que eu não quero falar. Comprar menos briga, ficar mais quieto, não abrir portas, não rir por cordialidade. Chorar sem ser questionado. Imagino o quão lindo deve ser um mundo onde as pessoas possam chorar sem ter que prestar contas. Se choro de felicidade, se choro por ser triste ou se choro porque dói olhar. Porque dói pensar que no mundo você sofre e se envolve em um jogo de retórica que não leva a lugar nenhum a não ser o começo, a não ser àquela época em que ainda tentava explicar.

        O melhor de tudo seria poder morrer sem que fizessem disso um acontecimento, evento ou um motivo de reflexão. Se soubessem quantas vezes morro calado. Calculando o lugar da queda pra que seja silenciosa, discreta, pra que não percebam, nem quando eu levantar tentando uma nova vida. Queria que morrer não fosse assim tão grande e que na realidade, oferecessem ajuda para aqueles que querem morrer. Suicídio permitido anularia a questão do aborto e talvez das cotas das universidades pra negros e todas as questões superestimadas de uma década muda mas que mesmo assim parece ter falado mais que as outras.

        Ontem me imaginei em neve. Bem gelado, pensava em uma melodia clássica ao mesmo tempo. Talvez não haja lugar mais musical do que uma floresta de neve com um rio no meio. No qual eu mergulharia...



Escrito por Theo às 13h04
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A última vez que escrevi algo aqui o dia estava nublado. E eu nem me lembro de um dia que eu tenha acordado sem sentir calor.

        Há semanas eu espero por aquela vontade incontrolável que vez ou outra me assalta, a vontade de botar idéias aqui. De escrever. Eu carrego papéis pra não perder a idéia se estiver longe de um computador. Ontem me vi sem papéis, sem caneta. Sem folhas pra carregar. De todo modo, estariam amassadas em branco no fundo da minha mochila.

        Tenho ocupado meu tempo com filmes antigos. Submetendo-me a uma estética diferente do meu meio. O que me intriga é que eu tenho estado em contato com coisas tão inspiradas, mas que não têm feito muito por mim. Talvez porque eu esteja com medo de certos pensamentos e com preguiça de agüentar o peso de certas inspirações. Talvez a intensidade que venho carregando esses anos todos tenha me estafado.

        Insegurança. Eu estou inseguro com as coisas que eu faço. Na realidade eu estou achando tudo uma merda. Eu sempre fiquei envergonhado com as coisas que eu fazia. Havia parado com a auto-censura e apenas estava fazendo. Não que a auto-censura tenha voltado, já me sinto exposto, denunciado e a espera de condenação. Não cabe mais me censurar. Não a mim.

        A parte boa é que eu não estou desmotivado. Posso estar sendo crítico e achando que nada está bom, mas penso em fazer o melhor que posso. E é por isso que, dentre todas as outras coisas que eu faço, a escrita não pode ser deixada de lado. Por isso faço deste momento crítico uma pauta de assunto. Ainda espero por mais inspiração, ou ainda espero ter coragem de deixá-la sair de novo.

Escrito por Theo às 11h37
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Tolos...

       A forma como eu gosto de dias nublados é a mesma forma como os poetas gostam do lirismo. O verde da praça da Liberdade é mais bonito. Essa praça é um dos lugares mais bonitos de Belo Horizonte, deveria ser menos urbana, mas ainda é o que se preserva de mais bonito aqui. Beleza realçada pela sombra e pela folhagem molhada em dias nublados e frios.

        O olhar das pessoas é mais limpo e mais sombrio. Em dias nublados e frios eu acordo melhor e não tenho alegria forçada. Eu aceito que não enxergo bem sem meus malditos óculos e abraço a minha quase cegueira pra ver tudo claramente. Vocês acham que vocês sabem tudo, mas não sabem de nada.

        No dia nublado e frio, eu quero morrer sem funeral. Sem aquelas cerimônias patéticas nas quais os vivos vão se sentir bem olhando meu corpo sendo impedido de realizar seu desejo de se tornar fétido por causa daquelas flores fedorentas que colocam nos caixões. Eu prefiro que minha decomposição seja livre e completa porque ela acontece a cada dia que passa. E vocês, estúpidos, acham que sabem de tudo, mas não sabem de porra nenhuma.

        No dia nublado, no dia frio, eu não agüento mais. Na chuva discreta, no céu cinza, eu não agüento mais. Alimento a síndrome do pânico da claridade que teima em atravessar a cortina que eu coloquei e que desperta a raiva de não ser respeitado por não querer mais. O sol. Eu não quero mais sol. Pra que ter calor se tudo isso mata a minha inspiração que eu gosto e eu não agüento mais... essa anulação. Vocês acham que sabem de tudo e simplesmente nunca procuraram saber.



Escrito por Theo às 08h58
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Pediram pra que eu mostrasse poemas,

intrigado fiquei, porém,

se eu nunca mostrar,  se manter só pra mim,

serei eunuco em um harém.

 

Pediram pra que eu revelasse segredos,

despisse  meus medos, ficasse pelado.

Não sei se foi invasão ou da ocasião,

que pediu que me pedissem que eu mostrasse meus poemas,

escondidos e entrelaçados pra ninguém investigar.

 

Disse não, disse depois, arrisquei talvez e insistiram três.

Fiz minha mala, aqui não fico se não puder ser minha chave,

se precisar  ter freguês.

Saí andando sem rumo, caça-poetas não vão me encontrar.

Cegos que são, procuraram em vão, o que se encontra só de olhar.



Escrito por Theo às 23h10
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Quem compra?


Ela ganhou o oscar ano passado por um musical chamado Dreamgirls. Mostrou voz e mostrou que sabia atuar. Deixou claro que gostaria de lançar um disco e se inserir no mundo musical e que o cinema aconteceu por acaso. Daí lançou disco e o primeiro single parece ‘one night only’ depois que mataram a música em um remix no filme (no filme roubam a música ‘one night only’ dela e tornam mais vendável em um remix inexpressivo).

        O vídeo acima a tem mais magra ou filmada de um jeito que parece mais magra, jóias, grifes, bebidas, tecnologias, clubes de dança, homens e ela mostrando um pouquinho da atuação que ela fez em dreamgirls. O que me faz questionar porque pegam um talento, um produto bom e tornam genérico. Será que as pessoas não estão procurando diferenças? Sim, porque se existe a oferta é para atender uma demanda.

        Na faculdade, ensinaram que as modelos existem para iludir as pessoas com a idéia de que ao comprar a roupa, ficarão parecidas com elas. Os Estados Unidos exportam um entretenimento de consumo e de onipotência, alienando pessoas a um processo de burrice, sem reflexão. Tudo contribui pra cultura de consumo que empurra que se você tem o celular mais novo, a TV maior, o sapato e a roupa mais cara, o corte de cabelo da moda e homens a seus pés, você encontrou a felicidade. Felicidade com conceito discutível, mas quem segue esse fluxo nunca mais sai dela. Ter é se aprisionar.

 

 



Escrito por Theo às 11h23
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Logo, logo...

Quando algumas coisas passarem, eu vou sair com um amigo próximo e tomar um drink com muita vontade e tranqüilidade. Vou dormir um sono leve e profundo e fazer sexo como se o mundo fosse acabar. Quando eu resolver certas coisas, talvez eu escreva menos no blog, pois, preciso começar a desenvolver vários projetos.

Talvez eu visite mais a família e tenha até mais tempo pra fazer coisas como exercícios físicos e surpresas agradáveis pro namorado. Espero poder ver aqueles filmes que todo mundo comenta e eu já li sobre, mas nunca tive tempo ou oportunidade de ver. Ah, e eu quero muito poder cozinhar também e poder brincar mais com o meu gato. Decidir guardar dinheiro fora da época do ano novo e ouvir música alta. Ter consciência de que trabalho não é bem sacrifício por dinheiro e que eu posso tentar ter uma vida menos estressante. Mais feliz! Vou poder pensar em como as minhas decisões implicam em renúncias de coisas egocêntricas que só fazem com que eu me sinta melhor, mais forte e mais bonito.

Ah, quando eu resolver certas coisas, talvez as dores esporádicas na região do meu tórax parem de acontecer...



Escrito por Theo às 09h35
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Sobre calorias e felicidade...

       O site da Uol pergunta qual celebridade tem o abdômen mais bonito. Todo mundo anda dizendo que ‘acha tudo’ o corpo da Madonna e os trajes sumários que ela vai usar no novo show. Uma modelo naquele evento de São Paulo foi criticada por ter um pouquinho de curvas a mais que as outras. Os gays querem ter o corpo do cara da foto e querem comer o corpo dos caras na pista. Quando foi que a imagem se tornou a coisa mais importante do mundo? E quando é que vai parar?

        Há meses atrás eu comia sem preocupação. O povo gritou, a família falou, o amigo jogou indireta e eu me senti mal ao me olhar nas fotos. Fiz dieta, emagreci uns dez quilos. Fui radical, fiquei indisposto, pouco produtivo e o sorriso não tinha mais brilho. Alguns se admiravam outros se chocavam. “Theo, você está magro demais”, diziam. Magro e aliviado de não ter que ouvir um “nossa, você engordou”! E quanto mais magro ficava, mais gostava do alívio, mas, como de praxe, me perdi na dificuldade de encontrar o meio termo. Não demorou muito a eu achar a academia o lugar mais chato do mundo. Eu, freqüentador assíduo desde a adolescência. O queijo cotage e o pão integral cansaram meu paladar, assim como a salada do Marietta e a maçã sem graça do lanche da tarde. Ah, e a gelatina? Não sei qual será o dia que vou querer ver uma de novo.

        Atualmente, não tenho ido à academia. Como salada junto a uma massa (ou duas) e carne. A moça do brigadeiro passa aqui toda tarde e eu sou cliente assíduo. Ah, não tenho dispensado doces, não. Descobri que pizza é muito bom e que coca-cola é a única coisa boa que o capitalismo me trouxe. Os fins de semana tem sido orgia sim. E eu estou mais feliz. Embora o braço não esteja mais torneado. A barriga esteja um pouco saliente, a bunda já foi mais dura e nas pernas não saltam músculos.

        Não quero ser bonito. Nem gostoso. Não nesse padrão do pau-duro à primeira vista. Se desejo está ligado somente à imagem, é melhor eu ficar com o meu espelho e cada um ter o seu. Narcisismo é amplo, deixa eu me ater em uma parte dele que não seja esse externo. Eu não quero atrair a primeira vista, eu quero atrair pelo olhar diferente.

        Eu vou tentar arranjar um tempo pra correr ou pra caminhar ouvindo música, pois não quero ter que fazer musculação. Eu vou tentar, muito moderadamente, comer menos doces e mais salada. Durante a semana, é claro. Eu vou pegar o meu ego e fazer carinho nele, vou alimentá-lo direito, vou dar a ele bons momentos de cama, filme e livro. Vou transar com ele praticando violão e cantando. E vou ver se alguém quer usar minhas calças tamanho 38 pra que ele não fique apertado.

        Nessa sociedade de imagem, eu quero ser cego. Em ditadura da beleza, anarquista. No padrão da cirurgia plástica, fugitivo. E pra quem achar gordo, magro, sem músculos, vou dizer que simplesmente fiquei invisível. Que eu brinco no mesmo quarto onde você malha e como no mesmo prato em que você come. Até uso as mesmas roupas que você veste. Ou você me via de maneira errada, ou simplesmente parou de me ver...



Escrito por Theo às 10h45
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Um manifesto feminista que, pasmen, não foi mulher que escreveu.

Eu já gostei bastante de blogs escritos por mulheres. Costumava me interessar pelos dramas femininos e até me sensibilizava com a maioria deles. Tudo geralmente gira em torno de homens. Poucas falam sobre empregos ou sobre algo que interessou a elas. Elas até se interessam, são antenadas, mas, no final, tudo gira em torno de homem. Enquanto o discurso da evolução e liberação feminina vem sendo aperfeiçoado conforme o tempo passa, as mulheres ainda estão presas no papel.

        Seriados como Sex and the City começaram com uma proposta interessante, evoluíram para crônicas de dramas femininos cotidianos e ao jogar com questões pelas quais todas passam, conquistou mulheres de todo o mundo. Eu, como fã, sinto-me no direito de dizer que a intenção era boa, a conclusão nem tanto. Alguns episódios conseguiram tirar de mim um “é isso aí”, outros me confundiam e alguns me levavam a conclusão que não era lá assim tão vanguardista. Os bons diálogos conquistavam, era legal pensar no assunto. As mulheres não interpretavam o todo, só o problema. Enquanto a Carrie sofria por não conseguir um relacionamento, quase nenhuma pensava nas razões e a frase preferida era “nossa, super me identifiquei”.

        Faltam mulheres de culhão, sim! Elas desistem fácil do que querem. Brigam pelos seus direitos e quando a luta esquenta, chegam à conclusão que tem que ceder, que estavam sendo imaturas e fazem tudo o que o homem quer. Homens podem escolher e a mulher deve tentar ser escolhida. O que explica o senso comum de que as mulheres amadurecem mais rápido. Concordo, elas sempre tem que engolir o sapo e ceder, fazendo disso um sinônimo de superioridade sobre raça masculina, considerada eternamente imatura. Porém, vencedora.

        Recentemente, li um texto criado a partir de um relato de uma socialite que dizia ter sido trocada por um homem e que assim era ‘menos mal’. O texto era complementado com outros relatos de  outras mulheres que diziam que sim, antes homens do que mulheres. No caso do homem ser gay, elas nada podem fazer. São inocentes. Logo, superam fácil, certo? Sim, elas nada podem fazer, mas porque a superação de um caso assim dói, mas passa, e no caso de ser ‘trocada’ por uma mulher, pode ser causa pra sofrimento eterno? Pura competição feminina. A competição por ser a escolhida. E está aí a razão pela qual essa libertação feminina continua na teoria. Não há união. Se o marido quis outra mulher, ela é vagabunda. Se alguma atrair a atenção do seu homem, é vadia. E caso ela retribua, você dá na cara dela, deixando o homem pra sempre em uma posição privilegiada de nunca culpado.

        O poder está na mão delas, mas elas continuam submissas e usam o poder para se afirmar assim. Consideram-se em uma posição de sempre credoras e os homens sempre endividados devendo a elas uma felicidade que apenas pode ser encontrada nelas mesmas. Elas podem fazer sexo com quem querem, mas tem medo de serem consideradas vadias. Elas podem ter o emprego que quiserem e tem competência pra isso, mas preferem se manter frágeis na ilusão de despertar o espírito masculino de proteção.

        Gostaria de ver mulheres procurando a felicidade fora da convenção social do casamento. Mulheres são seres fantásticos, e é uma pena que com o tempo abstenham de toda a personalidade emblemática que adquirem em um determinado período da vida para ser apenas uma simplória esposa enquanto pode ser tudo isso e muito mais. Sendo feliz em seu universo, vai poder ser a mulherzinha do homem que quiser.

 

Lili Cunha do Mundo Mundano, Joyce Garófalo e Serpentina Eskarlate, atualmente são mulheres que leio e gosto.

 

 

 

     

 

 



Escrito por Theo às 11h03
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Exercício...

Não faço nem um pouco a mais. Não deixo nada pra trás. E se não der certo, mudo de foco. E é assim...

 

Eu sei que falta pé no chão. Surreal não é uma prisão. E nenhuma vez, direi que foi em vão. Não direi, não...

 

Cansado de ter essa sede de viver. Abstive-me até mesmo da vontade de crescer. E em cada problema, olho lá pra fora. E penso em como ir embora...

 

Preso na fantasia de um dia esquecer os males causados pelo verbo dever. Epifania, injusto é quem quer matar o poder de um questionamento...

 

Simplório, estou eu a indagar. Sei pouco, nada que vá mudar. Pouco sei, problema particular. Esquecimento...

 

Memórias que se perdem dentro de mim, aquele, que nem começou, mas procura por um fim. Espero ter mais rugas e história pra contar pra alguém que se mantenha interessado...

 

Talvez com boa vontade comece uma revolução. Ou morra por alguém que partiu o coração das fragilidades freudianas que aceitei. Dizem, por isso sou gay...

 

Mantenho-me sensível e consciente demais. Depois da terapia mal falo com meus pais. Digo-me incompreendido, pois dá trabalho explicar. E pra te manter no labirinto...

 

Vou procurar três vezes antes de desistir. Estabelecendo prazos devo conseguir. O objetivo nem eu sei e nem vou me preocupar. Mas em algum lugar eu chego, sem pressa...



Escrito por Theo às 11h02
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Bagunça!

Ultimamente, tenho me apaixonado por folhas em branco. Uma necessidade de escrever muito, por horas, tem feito idéias borbulharem em minha cabeça. Ás vezes penso que se blogs não existissem, seria difícil organizar meus pensamentos soltos. Sempre é difícil me organizar. Sou uma bagunça e talvez se essa frase fosse escrita em inglês me causaria menos espanto. Bagunça é uma palavra feia. Remete a cantor de reggae amador misturado com um rockstar decadente. Bagunça é feio. E eu sou bagunceiro, não me organizo, sou desatento. Alguns diriam que tenho amnésia oportunista. I’m a mess. Yes, I’m a mess, like Woody Allen could say about himself. Muito mais elegante.

 

Fronteiras lingüísticas a parte, não fossem os blogs, escreveria em folhas de papel com a caligrafia ruim que me é peculiar e, quando uma faxineira fosse limpar, tudo iria pra lata de lixo. Sabe-se lá o fim que encontraria um devaneio meu. Eu me importo, eles são importantes pra mim. Muito!

       

Mas voltando ao omisso ponto que justifica o motivo pra eu escrever esse futuramente pouco lido post. É que ninguém lê muito, aprendi a abstrair. Muitas vezes eu penso que se um post não foi muito comentado é porque as pessoas se sentiram muito tocadas pra comentar. Daí não se sentiram capazes de debater o texto e preferiram não comentar, apesar de admirarem bastante cada palavra aqui escrita, claro.

 

Dizem por aí que há dois tipos de pessoas, aquelas disciplinadas e pouco talentosas e as pouco disciplinadas, porém dotadas de talento admirável. Eu estou no primeiro grupo, mas creio estar em nível de mediocridade porque ainda não consegui me organizar. Quando, e se talvez eu desencanar de ter ordem, eu devo conseguir uma linha de trabalho. Porque eu sou bem ligado a projetos, sabe. Projetos pessoais, quero dizer. Projetos do trabalho gastam o pequeno talento que eu tenho pra não dar retorno algum. E é preciso preservar talento.

 

        Entre um copo de vinho e outro, dá pra se alterar um pouco e perceber que o meio depende do fim. Do que se quer alcançar e talvez daí surja uma coerência, ordem cronológica, sei lá do que se trata toda essa nomenclatura. Todas elas levam a algum lugar comum do qual me canso muito facilmente. Talvez então eu precise de alguém com um perfil metódico pra organizar minha bagunça. Alguém que tenha isso como um TOC. Seria perfeito! Ou talvez eu deva tentar escrever histórias com início, meio e fim. Começaria no meio, atingiria o ápice no começo e o resto seria o fim. Fim de mais um devaneio importante pra mim.

Escrito por Theo às 14h30
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